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A Rainha da Neve - 5

Escrito por: Hans Christian Andersen

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A Rainha da Neve 👑❄️ - 5° Parte

A carruagem corria pela floresta. Tal era seu brilho na escuridão da floresta que logo atraiu a atenção dos salteadores.
– Quanto ouro! Quanto ouro! Estamos ricos!
Pararam a carruagem mataram todos que estavam nela com exceção de Gerda.
– Que bela peça, disse a velha ladra. Foi muito bem alimentada e cuidada. A velha mais parecia um monstro tinha barbas, que caia sobre o queixo, sobrancelhas que lhe escondiam parcialmente os olhos. Parece uma ovelhinha pronta para ser cevada. Puxou uma grande faca presa a sua cintura. Dava arrepios só de vê-la.
– Fora gritou a velha! Sabem para quem? Sua filha. Ela estava empoleirada em suas costas e acabava de morder a orelha da mãe. Vocês não podem imaginar que tipo de garota ela era, pior do que todo que vocês já ouviram.
– Garota maluca, tornou a gritar a velha.
Com o ataque da filha acabou esquecendo de matar Gerda e prepara-la para comer.
– Ela é minha, vai brincar comigo, dar tudo que ela tem de bonito e dormir comigo na minha cama.
Dito isso mordeu a mãe novamente que se pôs a pular e rodopiar.
Todos os salteadores começaram a rir da velha e da filha.
– Quero entrar na carruagem, agora!
O desejo da menina era uma ordem. Assim ela e Gerda sentaram-se no banco da carruagem que disparou floresta adentro, na parte mais escura e densa da floresta.
As meninas tinham a mesma idade. Mas a filha da salteadora era mais forte e morena. Seus olhos eram negros e tristes. Passou o braço na cintura de Gerda e disse:
– NInguém fará mal a você enquanto eu não me zangar com você. Você certamente é uma princesa, não?
– Não, disse Gerda e, mais uma vez contou-lhe toda sua história. Tudo que fazia era porque gostava muito de Kay.
Pela primeira vez a menina ficou séria e balançava a cabeça.
– Não vou deixar ninguém matar você, mesmo que eu ficasse muito zangada com você, porque nesse caso eu mesma a mataria.
Dito isso enxugou os olhos de Gerda e enfiou suas mãos no macio, quente e belo regalo que Gerda trazia em seu colo.
A carruagem parou. O lugar era horrível, totalmente diferente do palácio da princesa e do príncipe. Aquilo era o covil dos bandidos. Um lugar sujo, cheio de gralhas e de cães enormes prontos para estraçalhar um homem. Pulavam de um lado para o outro, mas não latiam porque latir ali era totalmente proibido.
No centro havia um grande salão enegrecido pela fuligem de um grande fogão onde se cozinhava a sopa e assava-se os coelhos.
– Esta noite você fica aqui comigo e com todos os meus animais.
Gerda comeu e depois a levaram para um lugar onde havia cobertores sobre palhas. Acima delas, empoleiradas, mais de cem pombas. Pareciam adormecidas, mas olharam para as meninas quando elas se aproximaram.
– São todas minhas. Pegou uma pelos pés e a sacudiu tanto que a pobre pomba ficou tonta.
– Você deve beijá-la e bateu com a ave no rosto de Gerda. Os ladrões da mata estavam trancafiados atrás de uns balaústres. Gerda estava muito assustada e novamente outra surpresa, a filha dos salteadores apresentou a ela seu namorado, uma rena que trazia no pescoço um aro de cobre polido. Sabe o que faço para mantê-lo aqui? Roço seu pescoço com minha faca afiada. Ele morre de medo. Dito isso puxou a faca que estava na parede e correu com ela pelo pescoço da rena que esperneava de medo. Logo depois puxou Gerda para perto em sua cama.
– Você dorme com a faca?
– Sempre! Estou sempre preparada para uma eventualidade. Mas conte–me sua história mais uma vez.
Gerda contou outra vez sua história. A menina dos salteadores passou a mão no pescoço de Gerda e com a outra segurava sua faca. Dormiu rapidinho. Todos do grupo ainda estavam acordados cantando, dançando e rindo ao redor da fogueira. Gerda permanecia acordada pois estava muito assustada. Não sabia se iria morrer ou viver.
O que Gerda via a sua frente era simplesmente terrível.
Nesse instante os pombos do mato começaram a arrulhar.
– Ru-ru-ru... Nós vimos Kay. Uma galinha branca carregava seu trenó enquanto ele ia no carro da Rainha da Neve. Ela passou sobre a floresta, soprou sobre nós e somente dois sobreviveram. Os outros morreram.
– O que vocês estão falando aí em cima? Para onde ela foi? Vocês sabem para onde ela foi?
– Certamente para a Lapônia pois lá há muito gelo. Quem sabe mais sobre ela é a rena.
– Ah! Como a neve é maravilhosa! Lá se vive bem! Lá se tem liberdade! Lá a rainha da Neve tem sua casa de verão porque seu castelo fica lá no Polo Norte, em uma ilha chamada Spitzbergen.
– O pequeno Kay!
– Fica quieta se não enfio a faca em sua barriga.
Assim que a menina acordou, Gerda contou-lhe tudo que ouviu das aves durante a noite. A menina fixou muito pensativa.
– Está bem! Você sabe onde fica a Lapônia, rena?
– Ninguém melhor do que eu para saber onde fica a Lapônia. Nasci lá e me criei lá correndo livremente pelos campos de neve...
Finalmente a menina disse a Gerda:
– Se você olhar a sua volta verá que os homens foram embora e mamãe bebe de uma mistura que a faz dormir muitas horas. Resolvi ajuda-la...
Assim que a mãe dormiu, a menina aproximou-se da rena e disse:
– Gostaria de retalhar você todinha pois ficaria muito engraçada! Mas dá tudo na mesma... Vou desamarrar você e lavá-la para fora, mas seu trabalho é levar essa menina ao castelo da rainha da Neve para que ela possa encontrar seu companheiro. Você conhece toda a história porque seus ouvidos estão sempre abertos!
A rena não poderia receber melhor notícia. Estava muito feliz! Imensamente feliz. A menina dos salteadores colocou Gerda nas costas da rena, amarrou-a para não cair e deu-lhe uma almofada para sentar-se. Deu também umas botas com peles e umas feias luvas de sua mãe, mas ficou com o regalo macio e quente de Gerda.
Gerda estava tão feliz que chorava de alegria.
– Pare de chorar, não gosto disso. Aqui tens dois pães e um pedaço de presunto, a viagem é longa e você pode ter fome. Amarrou tudo na rena, cortou as cordas que prendiam a rena, amarrou os cães e disse:
– Voa, mas cuida muito bem dessa pequena!
Gerda estendeu as mãos ainda dentro das luvas e disse adeus à menina. A rena partiu a toda velocidade passando por cima de tudo que aparecia a sua frente na floresta. Ela praticamente voava. Os animais da floresta faziam barulho a sua passagem. O céu ficou vermelho.
– Sabe o que é isso? Minha Aurora Boreal! Disse a rena. As luzes brilham maravilhosamente!
Dito isso correu dia e noite sem parar um minuto sequer. Os pães e o presunto acabaram quando chegaram à Lapônia.

© Todos os direitos reservados a H.C Andersen Institutte ®

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