A oitava noite

Escrito por: Hans Christian Andersen

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O céu estava carregado de nuvens, a lua não aparecia. Eu estava em pé no meu pequeno quarto e olhava para o lugar de onde ela deveria surgir. Meu pensamento voou longe e pensei na minha grande amiga que tão lindamente contou-me histórias todas as noites. Sim, o que ela não experimentou! Ela deslizou sobre as águas do dilúvio e avistou a arca de Noé, da mesma forma que hoje olha para o mundo e descreve em detalhes um novo mundo em florescimento, desabrochando, diante de um velho mundo que desaparece. Quando o povo de Israel chorava pelos rios da Babilônia, ela observou, com tristeza, aqueles necessitados, a natureza ao redor deles, os salgueiros e o silêncio de suas harpas. Quando Romeu foi em busca de Julieta o amor pairava no ar fazendo cor as suas promessas de amor, querubins, serafins e pardais entoavam hinos de amor e a lua, silenciosa, a tudo apreciava escondida por entre árvores. Ela viu o herói, da ilha de em St. Helena, olhando para baixo da ponta de um penhasco. Solitário, olhou para o mar, enquanto grandes pensamentos se moviam em seu peito. Sim, quanto a lua ainda tem pra nos contar? Não terei hoje uma história surgida de suas andanças pelo mundo deixando uma lembrança de suas visitas. De repente, meu olhar se concentrou no firmamento e, por entre nuvens escuras, um raio de sua luz surge, mas foi somente por um momento. Nuvens negras cobriram novamente o céu, mas foi uma saudação, uma saudação amigável de boa-noite que a lua me trouxe.

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