A sexta noite

Escrito por: Hans Christian Andersen

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Ontem foi a vez de visitar Uppsala, disse a lua. Aqui de cima avistei a grande planície recoberta pela relva e as colinas recobertas de campinas estéreis. Meu perfil estava refletido no rio Tyrus, no exato momento em que as ondas provocadas pelo barco que passava afugentavam os peixes. Abaixo de mim as ondas erguiam e criavam sombras cobrindo os túmulos de Odin, Tor e Freie, 3 deuses nórdicos. A relva que encobre a colina havia sido recortada por nomes de pessoas que visitaram o lugar. No lugar não havia monumentos, obeliscos, muralhas rochosas ou quaisquer outros marcos nos quais os visitantes pudessem deixar suas marcas. Eles precisavam se contentar em raspar a grama e deixar seus nomes gravados dessa forma. O fato é que as colinas transformaram-se em um enorme conjunto de letras composto por nomes. Interessante que a imortalidade tem a mesma duração do crescimento da relva.
No topo da colina estava um homem, um poeta, melhor dizendo. Depois de esvaziar seu vaso com borda prateada, ele balbuciou um nome de mulher, mas pediu ao vento que não o revelasse a ninguém. Sua súplica de nada adiantou. Eu pude ouvir o nome que ele pronunciou. Eu conhecia muito bem essa pessoa. Era uma dama da nobreza. Sobre sua cabeça pousava um diadema de ouro, por essa razão o poeta não queria ver seu nome revelado aos quarto ventos.
Sorri porque lembrei-me que os nomes dos poetas também são adornados por um diadema: a coroa da fama. A nobre Eleonora Estes estará sempre associada ao nome do poeta Tasso. Assim como ele, também eu sei onde floresce a Rosa da Beleza!
Ao acabar de dizer essas palavras, uma nuvem se colocou entre mim e ela. Que nenhuma nuvem, em momento algum possa se colocar entre o poeta e a rosa!

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